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Poesia Por Deivison


Olá

Outra mão numa noite dessas, desenrolando um papo com meu amigo Daivison, senti que o camarada estava com umas neuroses na cachola e pelo jeito essa mesma tristeza passeando pelo coração. No desenrolar das idéias, dei um papo nele, pra ele por aquilo pra fora e pá, em formas de versos que talvez sacudiria o descompasso do coração. O irmão tira onda com as palavras é bom com rima e musicamente falando tem uma obra muito boa passeando pelos mocambos do Brasil. Sua angustiada noite deu asas pra essa bela criação literária. Da uma olhada no escrito do irmão e tire suas impressões. No mais fico grato de poder ser leitor e contemporâneo desse malungo. Axé



Vômitos

Tava ali com a pedreira nos olhos e a caixa de catarro explodindo,

resolvi escrevê quando um certo Kintê de quase chorar me deixou rindo:

Mas Dizê o que se já foi tudo dito?

Tudo visto, tudo quisto...

E eu de tanto que não tive

nem sei mais o que querer

dizê o que? eu digo tudo dito

eu quero o tudo visto quisto

de tanto que tive querer

não sei mais o que eu tive

saber o que se já foi tanto o visto?

Tanto olho que caiu no cisco

E eu manco que corri detive

O choro em letras e me pus a escrever

e eu enquanto isto calculando por aqui se sigo sofrendo abraçando os espinhos

ou se morro em abstinência com a ausência do cheiro da flor

sem concluir segui vomitando:

Ai Dolores! Ai Dolores

Pq não deixa minha cama?

te abraço e congelo minha gana

envolto em teus braços não sei te afastar

Dolores! Querida Dolores

Amarga o meu peito e me faz companhia

Congela minha noite e me traz a agonia

Dolores...

me gela me sente que eu sinto vc

É uma pena que a razão não manda em sentimento, se não meu coração seria obrigado a abstraír as concretas determinações dialéticas da vida...

subtrarir as variáveis que me fragilizam e adicionar defesas ao sentidos ,

resultado = blindado e seguro eu não sentiria mais nada.

mais nada..!

Ousei ascender a luz no meio da noite

O toque da imagem com a força de açoite

Foi ver-me no espelho nú sem roupão

O frio diminui minha masculinidade

A carne cansada da vida marcada

E o espanto de um homem caído sem chão

Morro todo dia ao viver um pouco

Eu sinto o desgosto que dói como um soco

No meio da boca da ilusão

o cerol mais cortante dissolve à garoa

o amor mais intenso é o que mais magoa

e eu desolado chorando com a mão

Mas se sofrer é ter furunco que lateja ao tocar...

eu insito e futuco e se agüento eu ...

aaaaahhhhhh! paro pra não inflamar


Daivison


One Response so far.

  1. Veronica says:

    Na simplicidade de viver a poesia é algo que liberta nossos sentimentos, tem a capacidade de por pra fora de vomitar tudo aquilo que está encarcerado nas grades da alma, preso na cela do coração... Lindo esse poema!!! Parabéns ao Daivison e a vc Akins que é um irmão que sempre traz inspiração...
    Ass: Veronica Maisha

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