Cafuris lança musica nova
Será lançado dia 17 - 05 (quinta-feira) no programa
Live Sessions na http://radiosessionsbrasil.com/ que vai ao ar a partir das 21:00 hrs
com apresentação do Raphão Alaafin e na sequencia estará disponível parar dowload
em http://soundcloud.com/q-i-alforria !
acredito que Valeu
se tem um lugar que gosto cada vez mais de colar, é no Sarau Suburbano Convicto, todas as terças e tal, tem la meus amigos Tubarão, Buzo, a Marilda, pelamor gente da hora, saiu da labuta vou ali na biblioteca Mario de Andrade, to lendo Jesus Homem do Plínio Marcos, esse sangue bom ta me chapando a mente... depois de leve colo la na biblioteca ver um sarau, aprender com os monstros e conversar com os amigos meus amigos que socializam,somam comigo esse momento quando vocês tiverem de boa numa terças dessas da vida cola ali pra da um salve nos meus amigos, um salve para meu chapa James Lino tamo junto maloca......
http://www.vermelho.org.br/mg/noticia.php?id_secao=11&id_noticia=177681 se puder leia ai esse blog
DODA
Jamais pensou que um dia fosse ter que agüentar tanta porrada. O zunido na orelha parece uma coisa passeando tontamente por dentro da cabeça; a face é um enorme calombo roxeado; uns rasgos escancarados na parede externa de uma das narinas deixa escorrer o melado e os dentes latejam no meio de uma pasta de sangue pisado. Até pra piscar fica difícil – os olhos muitos fechados por causa do inchaço. Nem seu pai, tão macho, o cão em pessoa, lhe batera desta maneira. E olha que ele tinha a mão pesada, batia bem.
Rosa já avisara, uma vez.
-se te pegam mina, é cana dura. E aí, se não soltar uma grana, periga de passar o carnaval lá dentro.
Ah isso é que não. Nem fodendo. Nada neste mundo a impedirá de sair na Escola. Cresceu no bexiga, nos porões dos casarões, nos cortiços, nas baixadas... Guardou carro na frente dos teatros e das cantinas, passou coca e erva, levou toca-fita e já fez várias boas no ônibus apinhados que circulavam pela Paulista, Consolação e Augusta, tudo na maior moral, manha decente.
Todo ano brilha gostosa e cheia de talento na avenida- é filha do Bixiga ! É ela mesma que passa imponente e encantadora e não apenas uma personagem das estórias dos enredos. A fantasia não é só vestimenta não, mas sua própria pele.
Uma gota de suor pinga-lhe no rosto, fazendo arder à ferida que já doía; um cara á sua frente, com a farda empenada, parece ainda mais monstruoso diante da luz amarela da sala fria; um outro, grandalhão, sem camisa, jeans surrado, mete-lhe uns fios nas entranhas e uma descarga elétrica percorre-lhe o centro do corpo, “filhos da puta”
Não paga uma peça se quer, não compra nada. Revira o baú de coisas velhas, retalhos de outros carnavais, um pedaço de tule daqui, uma pluma dali. Raspa a purpurina de um velho sapato prateado, bate a poeira da capa de veludo de uma outra fantasia, surrupia um adereço ou outro de uma loja mal vigiada. Não tem nada a ver pagar, por mínimo que seja o preço para mostrar sua vida, graça e magia na avenida. Teria mesmo é que ganhar isso sim!
Outra descarga. A espinha começa a vibrar como um fio de berimbau, “Quem são os caras? Onde esta o bagulho? Fala piranha!”. Este é um homem gordo de paletó gritando, sentado atrás de uma grande mesa, com um charuto entre os dedos trêmulos e curtos. Cacete! Ela não sabe de cara nenhum. Pelo menos finge muito bem que não sabe. Não tem pique pra caguete ah isso é que não. Mais a porra toda é que tem que falar, senão apanha mais e mais e mais e mais... e o carnaval vai pr’as picas. Ou então solta uma grana, “puta que pariu”. Uma grana descolada no maior sufoco, correndo perigo toda hora. uma grana que lhe valeu muito- serviu para terminar o supletivo e ainda sobrou pra guardar. E vai ganhar muito mais ainda ah se vai. O curso de direito a espera. Doda quer ser como aqueles caras espertos que vivem livrando a cara da rapazeada. Mas não vai fazer como eles. Não vai cobrar tão caro. Os neguinhos nem bem põe a mão na bolada e já têm que soltar pra esses cus-de-burro, se quiserem sair. Isso não ta certo. A defesa é um direito que os maninho tem que ter, pô.
........................................................................................................................
Era fevereiro. Fervilharam os últimos ensaios. Os versos cuidadosamente esculpidos pelos poetas de rua, pairavam sob a forma de centenas de vozes no meio das noites de domingo. A cadência metálica dos repeniques chocava-se contra as paredes cinzentas dos edifícios do bairro do Bixiga. A batida abafada do surdo marcava a melodia linear das caixas e os tamborins de vez em quando, flertavam com o samba, num gesto a um só tempo zombeteiro e reverente.
O enredo contava estórias sobre um universo imaginário, povoado por nobres senhores semi-nus, centenas de reis e rainhas, plantas falantes, frutas voadoras.
A quadra, pequenina mal abrigava um quarto da gente que se comprimia dentro dela para ver as fantasias expostas sobre as mesas estrategicamente colocadas. Reluziam ali mantos trabalhados com lantejoulas e cetim, coroas carregadas de plumas e de pedacinhos de espelho, imitações de tronco de ébano sorridentes; abacaxis, maçãs e bananas gigantes, envoltas em penas de maramu e asas de tule; capas de veludo e de brocado arrematadas com cordões cintilantes.
A maior parte da gente que circulava ali havia-se convencido, inconformado da impossibilidade de pagar o alto preço de cada fantasia- as bocas cheias d’água e os olhos brilhando tristemente, a angústia de não poder entrar no rio de sonhos que em breve passaria na avenida
Fora da quadra, a multidão tomava a rua e a praça, vinda de todos os lugares para se ver e se rever, para beber cachaça, comer cuscuz, sarapatéu e acarajé; a gente exibia tranças de todo tipo, desfilava para cima e para baixo gingava e requebrava levemente com frases do batuque comentava sobre a noite e as mulheres, sobre os homens e a noite e batia palmas na marcação de euforia. Uma euforia no entanto, comedida, naturalmente concentrada no interior daquele flerte com a vida coletiva e inevitavelmente refletida nos olhares e nos gestos e nos sorrisos. Todos cantavam o samba-enredo num coro grandioso que reverberava por sobre os quarteirões daquela parte da cidade.
Na semana que antecedeu o carnaval, no porão de um dos antigos casarões do bairro do Bixiga, Doda estivera revirando o baú de coisas velhas. Rosa dizia:
-A fantasia este ano ta pelo olho da cara, mas vale a pena
-Pra mim dá no mesmo. Já faz tempo que não pago porra nenhuma... (Doda disse isso com um tom de desprezo na voz, enquanto, fantasiada, olhava-se no espelho). Deu uma volta e completou: -Saio do mesmo jeito.
-eu ainda acho que cê ta marcando. Lá na boate tem vaga
Doda protestou:
-o que? Ficar mostrando a bunda pr’aqueles gringos? Nem fodendo, maninha. Prefiro correr perigo do que ter que engolir esses sapos.
Tirou a fantasia e estendeu-a sobre a cama. Escondeu o lindo corpo com uma bermuda de brim, uma camiseta e um velho tênis. Depois foi saindo dizendo: “vou arranjar mais umas plumas”. Rosa seguiu-a com uns olhos tristes até que dobrasse a esquina, mas, depois, abriu um sorriso meigo e pendeu a cabeça para um lado, num gesto de admiração. Entrou. Vestiu a fantasia da amiga e viu-se linda no espelho, resplandecente, imbuída de uma sensação de orgulho. Virou-se de costas, observando a bunda e a parte de trás das coxas. Meneou as ancas, lasciva. Sentou-se na cama e pôs-se a chorar um choro dolorido.
Quando amanheceu a quarta-feira de cinzas, já era dada como certa a vitória da escola. Passava majestosa, sob aplausos de deslumbramento, fazendo arder os olhos da assistência com seu brilho. A voz forte do puxador ainda ecoava através da manhã, cantando as estórias do enredo. A ultima ala da escola chegava ao fim da passarela.
No porão de um dos antigos casarões do bairro do Bixiga, a fantasia de Doda brilhava sobre a cama, esplêndida, como se tivesse desfilado.
AUTOR: J. ABILIO FERREIRA
TEXTO RETIRADO DO CADERNOS NEGROS VOLUME 10
VAMOS LER UM LIVRO!!
meus amigos irmãos e irmãs que tocam a Biblioteca Solano Trindade, na melhor quero ta colando por lá só pra aprender cada vez mais.... é nois que ta
my brother Raphão Alaafin
meu chapa Raphão Alaafin, belo canto e um clip bem louco envolvente, todo respeito e admiração meu chapa, esse ano ta bem legal to vendo umas coisas novas bem legais, viva a arte muito obrigado Raphão Alaafin, por essa pancada sonora é nois
Poesia por Hamilton Borges dos Santos (walê)

Poesia Por Deivison
Vômitos
Tava ali com a pedreira nos olhos e a caixa de catarro explodindo,
resolvi escrevê quando um certo Kintê de quase chorar me deixou rindo:
Mas Dizê o que se já foi tudo dito?
Tudo visto, tudo quisto...
E eu de tanto que não tive
nem sei mais o que querer
dizê o que? eu digo tudo dito
eu quero o tudo visto quisto
de tanto que tive querer
não sei mais o que eu tive
saber o que se já foi tanto o visto?
Tanto olho que caiu no cisco
E eu manco que corri detive
O choro em letras e me pus a escrever
e eu enquanto isto calculando por aqui se sigo sofrendo abraçando os espinhos
ou se morro em abstinência com a ausência do cheiro da flor
sem concluir segui vomitando:
Ai Dolores! Ai Dolores
Pq não deixa minha cama?
te abraço e congelo minha gana
envolto em teus braços não sei te afastar
Dolores! Querida Dolores
Amarga o meu peito e me faz companhia
Congela minha noite e me traz a agonia
Dolores...
me gela me sente que eu sinto vc
É uma pena que a razão não manda em sentimento, se não meu coração seria obrigado a abstraír as concretas determinações dialéticas da vida...
subtrarir as variáveis que me fragilizam e adicionar defesas ao sentidos ,
resultado = blindado e seguro eu não sentiria mais nada.
mais nada..!
Ousei ascender a luz no meio da noite
O toque da imagem com a força de açoite
Foi ver-me no espelho nú sem roupão
O frio diminui minha masculinidade
A carne cansada da vida marcada
E o espanto de um homem caído sem chão
Morro todo dia ao viver um pouco
Eu sinto o desgosto que dói como um soco
No meio da boca da ilusão
o cerol mais cortante dissolve à garoa
o amor mais intenso é o que mais magoa
e eu desolado chorando com a mão
Mas se sofrer é ter furunco que lateja ao tocar...
eu insito e futuco e se agüento eu ...
aaaaahhhhhh! paro pra não inflamar
Daivison
O Poeta
- Akins Kinte
- Akins Kintê operário da vida diária, nos momentos vagos delicia, briga e enamora as palavras.
Várzea - A Bola Rolada
Lançamento InCorPoros-Nuances de Libido
Quem nos Curte!
Mais Lidos
-
Nem sei se te conto. Onde bati meu ponto. As portas que arrombaste. Pra vários eu um traste! Nessas sem valor. Meu ouvi ai amor. Por ai n...
-
Ainda to meio pá com o momento. Tentando entender qual que é do nosso trabalho. Sei na sinceridade que é isso que mais gosto de fazer: Recit...
Marcadores
- Amigos Poetas (8)
- amor (3)
- Construções...para 1 Dia (1)
- declamando (1)
- erótico (5)
- Especial - Mulher (7)
- Eventos (20)
- homenagem (1)
- InCorPoros (3)
- manifesto (1)
- materia (1)
- Orações do Dia (3)
- Participações (8)
- Poesia - Dedicações (1)
- Poesia Erótica (1)
- Por Onde Ando (2)
- Racial (1)
- Reflexões (5)
- Sarau erotico (1)
- Social (1)
- Trabalhos (9)
- Zeca O poeta da Casa Verde (1)



