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Akins Kintê Contra a Redução da Maioridade Penal



De imediato a solução de Prender ou da Pena de Morte está sendo executada. Os adolescentes que vocês chamam de "bandidos menores" estão cumprindo a medida sócio educativa, que a gente sabe que são prisões onde não fica apenas três meses são “condenados de seis meses a três anos” ás U.I e a violência contra os adolescentes anda solta nas fundações CASA, desde solitária, socos, pontapés, pauladas, alimentação "bagunçada",violência psicológica onde se tem a táticas de torturas de andar de "pote baixo" mãos pra trás, não chama-los pelo nome, lembrando algumas dessas táticas época de escravidão pondo na cabeça do africano que ele não era gente apenas coisa e matando assim toda sua identidade de ser humano. A Pena de Morte é diária já se perdeu a conta de quantos jovens foram assassinados, pessoas próximas a gente, artistas comprometidos denunciando a podridão da desigualdade brasileira. Estudantes, garotos que tiveram passagem por Fundação Casa, Jovens assassinados e na sua maioria negros. Minha preocupação é a imprensa burguesa trabalhando certinho na mente dos nossos. Os mesmos que apoiam a redução da maioridade penal são os mesmos que trazem as armas que dão a cachaça que financiam o crack, que diz pra esse jovem que ele tem que TER, tem que VESTIR, tem que PILOTAR, tem que FUDER. Se não ele não é ninguém. Ninguém. Os que financiam essas leis de exclusão do jovens na sociedade são os mesmos patrões do mesmo Brasil que escravizou seus antepassados, assassinaram os Índios, produziram a miséria, abrem suas grandes empresas lucrativas e assalariam uma massa com uma merreca absurda que o trabalhador tem que se desdobrar nos noventa para sobreviver. A maioridade penal é um plano de vingança sujo da população rica.

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Zeca o Poeta da Casa Verde



                                              

           O poeta nasceu dia 23 de abril de 1927, em São Paulo. Ainda novo, aos 13 anos, atuava como passista-mirim na escola de samba do Morro das Perdizes (a primeira escola de samba de São Paulo).
“O samba de São Paulo vinha do interior, vinha das lavouras de café, e foi em um dessas lavouras que Zé Maquininha pai de Zeca, aprendeu samba, congada, reisado. Era o samba batuque, o samba de trabalho, o samba do toco” onde os negros resgatavam sua identidade perdida nos navios negreiros com o som de seus instrumentos peculiares, Zé Maquininha veio para São Paulo e trouxe junto consigo, o samba.

    (Carica, Bassu, Xandy ao fundo, Edvaldo, Patraozinho)

            São Paulo na época, buscava um desenvolvimento desenfreado com um projeto de extermínio do povo negro e sua cultura, sendo assim, depois de viverem de forma improvisada nas lavouras, partem para São Paulo morando mal morados na região da Barra Funda, Bixiga, baixada do Glicério. Depois não sendo aceito na região central pois se tinha para São Paulo “toda uma ordem elitista de se pensa o centro” os negros assim se descolam para a periferia em um movimento urbanístico de marginalização.

     (Zizo, Dona Leonor, Renato Candido, Sonia, Akins Kintê, Primo Gabriela, Bruna Anjos Gabriela Watson)

           Com um estilo próprio, o samba paulista acostumado à árdua vida nas lavouras de café deu origem ao samba “durão” ou como nos diz o professor Hamilton poeticamente “um surdo descansado” puxado para o batuque e decisivamente influenciado por outros ritmos fortemente percussivos, como o jongo-macumba conhecido por caxambu.

    (Gabriela Watson, Renato Candido, Akins Kintê, Prof. Hamailton)

          Em São Paulo Zé maquininha, foi capitão de congada e sua esposa Dona Chica foi ser a bandeira da congada, e Zeca da Casa Verde nessa época uma criança, foi ser sentinela da congada. Dessa época data o inicio da relação entre o carnaval e a violência: a repressão policial sofrida pelos sambistas, feita de forma dura e descriteriosa. Os sambistas, não só no carnaval, mais durante todo o ano, eram vistos como vagabundos marginais duramente perseguidos pelas autoridades. Mais um fato é, os meus velhos e antepassados nunca aceitaram essa perseguição e covardia de cabeça baixa, tanto que no Itaim tinha grupos de negros brigões, negros que não admitiam qualquer desrespeito, e eu inocentemente pergunto para o Toniquinho saia na mão com os cara (policia) ele diz não nas armas e tudo do jeito que eles quisessem tinha pra eles...
    (Cassimano, Jefferson Jeff, Akins Kintê, T-Kaçula, Bruna Anjos, Gabriela Watson, Teco)   
E o Zeca caminhou por outros caminhos brilhantemente que não só a musica como o teatro como atores junto com Plinio Marcos participando de varias peças teatrais, tanto compondo samba para a peça como interpretando. Chegou a escrever roteiros para TV, mais na época a enchente arrastou o sonho.
     (Rogerio Pixote, Akins Kintê, Dona Guga)
                Outro lance importante é as vestes dos irmãos essa preocupação, essa preocupação grande de estar bem trajado, para eliminar qualquer imagem de vagabundagem e o Thiago arremata a gente tem que mostrar pra cidade que o sambista não é marginal que o sambista é malandro elegante. E essa ideia me fez pesquisar sobre essa importância dos negros se vestirem bem, essa preocupação vem dos tempos da escravidão inda mais com esse lance do calçado vendo a importância que os irmãos têm de ter um tênis ou sapato bacana. O fato que sempre diferenciou o senhor do escravo sempre, sempre.
    (Toniquinho Batuqueiro, Akins Kintê)

O Jair Rodrigues no lembra da humildade do Zeca da Casa Verde e qualidade musical de quando conheceu ele na quadra do Rosas de Ouro, e homenageia cantando um samba.
(Akins Kintê, Jair Rodrigues, Renato Candido)

Na contramão de um sistema repressivo a arte popular/negra era passada de pai pra filho, a filosofia se aprendia na batalha, quando o Zé Maquininha foi falar com Deus, o Zeca da Casa Verde teve que se virar fez de tudo um pouco pela sobrevivência dando um duro na lida da vida. Mais entre sonhos e realidade entrou para o samba de verdade o samba dos cordões. Foi pro Morro das Perdizes depois para Camisa Verde e Branco, depois para o Morro da Casa Verde onde tirou diploma de sambista, e o Morro foi para avenida com um samba dele até hoje cantado nas comunidade carnavalesca “olha a moça na janela que lindo é o sorriso dela” chegando a ser reconhecido como um dos criadores de uma das melodias mais rica do brasil. E o Lig Lig me alumeia ,a melodia era muito forte  eram sambas fáceis de refrão fácil. Bonito memo é a Senhora dele dona Leonor e o Celso falando sobre a visita espiritual da senhora inspiração o obrigando a escrever o poema que ela ia ditar. As palavras da Dona Leonor “é uma voz que canta no meu ouvido” e o seu Zeca lança essa pro ano de 79, vamos transformar avenida num mar imenso de cores e da um banho de alegria na tristeza pra sorrir e brincar na magia das flores. Lindo ou não?
(Akins Kintê, Jefferson Jeff, Celso Lima, Bruna Anjos)

                Pensando em Samba de São Paulo, é possível ser ver uma grande ausência de registro cultural musical de poetas como Zeca da Casa Verde. Contrariando essa lacuna formal, sobrevive a rica vivência de alguns senhores e senhoras que conviveram de forma tão poética e sincera com o poeta Zeca da Casa da Casa Verde, memórias essas que nos foram passadas ao longo de cada entrevista feita. 
    (Maria Helena, Dicá, Mug, Jefferson Jeff, Gabriela Watson, Akins Kintê)

          O acesso à obra de Zeca da Casa Verde e informações sobre o momento histórico em que se finda a escravidão e a vinda dos negros dos interiores para São Paulo é uma realidade apenas contada por pessoas de mais idade, informações às quais, mesmo com a internet, temos grande dificuldade em conhecer isso justifica esse projeto e o configura como um grande "tesouro" ao qual todos agora, terão acesso.
    (Quintal Quilombinho gravação Clip)

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Auto-Retrato






Mulekote matuto

num sonho de criança numa vida de adulto
hominho do barraco, líder absoluto
benzido nos terreiros fortificado no peito
com uns olhos de sorriso e um coração de luto
o pai já se fora Deus assino o indulto     
herdou honra, tristeza e a manha de furto
um cinco cinco nos livros pra não te tempo curto
rezado nos sambas nos jongos nos pontos
adotou de riqueza amizade em dote  
viu se bem sem bens sem luxo sem um conto
protegido e ungido por erês foi afoito
sua oração criança ele uma, fez delas culto

mulekote: porta amor então ta preso e soluto
solto e ileso, nas prisões de beijos muitos
em paus-de-arara  já posto importunado imposto
negou até a morte quando ela visitou teu busto
reviraram a mente o orgulho e outros assuntos
feriram a face, mas não arrancaram o sorriso do rosto
defensor da liberdade e os baratos que eu discuto
com esperança de futuro, leva a vida no susto
preza pelos seus sempre a todo custo
entre algemas e mãos meninas ele envolto
nos funks futebol e revolta
molekote ainda, e puto

mais astuto
do tipo que planta e não espera o fruto
pois se não der fruta come pedra e pronto
dono de um coração robusto
dos que renasce dos cantos de amor e canto justo
inquieto com  bruto e corrupto
se matou foi sensato e abrupto
sempre na segunda com adulto
esses que não cabe ouvir, e não sabe muito
leva uma vida errada rica e inútil
Exploram os menor pra satisfazer sua vida fútil

mulekote é de sorte, de olhar enxuto
do tipo que labuta e escuta, do meu barraco escuto
palavra que carrega: respeito mútuo
quem quis  seu mal nem viu nem o vulto
por esse rezo faço bom voto
as tias da igreja ta cheia de insulto
os policiais querem a morte num tulmuto
pra num moiá depois larga num viaduto
mais mulekote num morre renasce resoluto
num rap num poema num cordel tudo junto
numa ideia de uns loucos, das damas um assunto
mulekote bom, é vida é arte sem lucro
nasce das neuroses fortão e xucro
hábil e astuto tapeando o destino
mulekote matuto 



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InCorPoros- Por Jéssica Balbino

Literatura: Libido em foco
Akins Kintê e Nina Silva apresentam obra com poesias eróticas e críticas




Por Jéssica Balbino
Sabor de gozo. De foda bem dada. De saudade de uma boa rapidinha. De uma transa combinada. De um sexo por acaso. De corpos ainda ofegantes. De uma punheta bem batida. De sacanagem no ouvido. De sacanagem por telefone, e-mail, ao vivo. De putaria. De amor contido em doces segredos sexuais. De fazer amor. De trepar. De dar. De fazer sexo. De expor toda libido.
É assim – e talvez mais do que se consiga traduzir em palavras- o livroInCorPoros – Nuances de Libido – de Akins Kintê e Nina Silva.

Com prefácio poético de Lia Vieira, o livro encanta pela capa, pelo tamanho – o ideal -  e pelas poesias. Ora leves, ora vorazes, mas sempre com um toque musical, cultural, gostoso de ser lido. Um livro para ser saboreado. Ás vezes devorado. Com pressa e com calma, num vai-e-vém cadente, quase sexual.
Libido. Sentimentos à flor da pele. Corpos negros, que se entrelaçam em mãos brancas que seguram a obra. Que cadenciam o falo, que envolvem o leitor num sentimento de amor. O lixo exala vida. Exala o aroma do amor, do sentimento, do querer. É uma literatura palpável. É possível sentí-la e tocá-la, como a pele de quem se ama, de quem se trepa, de quem se quer estar junto.
Numa dança afro, ao som de tambores misturados com vinis e belas poesias declamadas num sarau imaginário, a publicação faz parte do Ciclo Contínuo de Literaturas e é mais uma iniciativa contemplada pelo programa VAI da prefeitura de São Paulo – SP. Em suas 80 páginas, traz saudades, momentos, intimidades, raivas, medos e deleites.

O veterano Akins Kintê, frequentador assíduo de saraus, co-autor do livro Punga, em parceria com a escritora e jornalista Elizandra Souza, une sua poesia e sua arte – ele é também documentarista e como se auto-intitula “operário da vida diária” com a de Nina Silva, a moradora do Rio de Janeiro que escreve desde os quatro anos de idade, é modelo, militante negra, além de ter sido co-organizadora do livro “Cada fio uma história”.

A obra traz também ilustrações de Marcos Santos Ferraz (Marcos zx) no miolo. A capa fica por conta de Iléa Ferraz.
Assim, numa literatura única, erótica, exótica, crítica, social, intensa, tensa e tesa, Akins Kintê e Nina Silva nos brindam com uma obra única, que transita entre a cultura negra, marginal e elitizada, sem qualquer problema, afinal, tudo que queremos, no final, é gozar. A nossa maneira, mas é o que queremos.
Portanto: boa leitura. Sem masturbação mental.
Avaliação CHH: Bom
Mais sobre o trabalho no blog: http://akinskinte.blogspot.com

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De VoLtA E SeM RiSo

Sexta-feira fim de tarde, o sol escaldante o prenúncio de uma noite daquelas... Às vésperas de carnaval, meu semblante sério o peito frio o corpo rijo sem jeito pra festa. Na sincera meio perdido de entender o que esse país quer com os pretos! Toda hora eclodindo um caso de racismo, toda hora um pilantra testando nosso psicológico, com suas conversas medíocres empunhando na nossa cara um crime que não temos nada a ver. Ainda se tivemos sorte e fomos sentenciados, outros condenados a morte foram triturados nas caladas de noite, nos açoites eternos ou até mesmo esganados na frente de suas famílias. Tudo na mais perfeita branca ordem.

Minha cabeça encucada com uma fita, tava no trampo quando recebi a noticia de que um menino, dez anos de idade, foi acusado de furto no Hipermercado Extra da Marginal do Tietê levado pelos seguranças a uma sala reservada e esculachado com palavras baixas ameaçado de violência. Porra essa fita roubou minha brisa. Se eu conheço esse procedimento? Sim. Se já passei por essas? Sim. Conhecemos a historia de cor e salteado. Me diga aí se tô errado. A família do menino vai entra com uma ação civil por danos morais contra o Extra. Isso vai virar dias e meses e anos. O Grupo Pão de Açúcar, que é proprietário da marca Extra vai negar esse racismo descarado até a última idéia. E vai ficar assim: um pai “cabisbaixo, desolado”. Um menino “mentiroso, meio pá consigo mesmo”. Uns seguranças heróis. E uma quadrilha fortíssima O Grupo Pão de Açúcar “deuses”, pois eles são líderes no segmento varejista do Brasil, empregam um monte de gente e tal. Se for ver, um monstro... Quem prova que uns caras desses são racistas?

Desde mulequezinho já me liguei que a luta negra é a luta mais solitária que tem! Quem soma com os pretos numa situação dessas, se não for nós por nós mesmos? Hoje ainda mais que a discussão é social, é periférica, de favela é tudo menos preta. Aí nossa luta é mais solitária ainda. Porque os cara continua perseguindo. Daria laudas e laudas aqui de jovens assassinados, mães de família humilhadas, crianças com seus direitos “direto e reto” violados. Aqui com minha lente ótica de curta distancia não consigo mais espera por uma democracia racial! Nem vejo nem acredito em uma guerra. Mas o genocídio todo dia bate na minha cara não dá pra fingir que não vejo.

Queria dizer por aqui pra todas as pessoas que se dizem seres humanos se manifestarem contra esse e todos os tipos de racismo, preconceitos e tal. Mas, na moral, venho por meio desta dizer que se no dia de amanhã eu dizer um poema ou pesquisar um trabalho áudio visual em cima dessa questão. Façavor não venham dizer que é racismo às avessas, que é complexo de inferioridade ou que é mania de perseguição. Porque com nós já é sem problema, nasci problemático. Sem pedir licença e sem perdi perdão que abaixe o racismo. Não estou esmolando estou exigindo Akins Kinte- Mulekote Matuto

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