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POEMUNIÇÃO






Minha poesia é
arma
que trago dentro do peito
e com o dedo no gatilho
á empunho ferozmente

Desenrola faceira
feita a cabrocha que
habita em meus olhos

Pra fazer de morada
os rostos rochosos
e o vazio do peito

E os versos chapados...

Chapado feito à vida

Nem deseja acadêmicas escolas
nem cadeira de chefe
nem coquetéis de casarões
nem o sorriso amarelo do burguês

Mas, necessita de compasso,
das andanças do boêmio
e o jeitinho de ser da pretinha
pra se fazer companheira
ao meu poema

Chapado feito à vida.

A poesia que trago
me traga... Não toca o céu
nem tão pouco as estrelas

Leal ao povo
serve de protesto
e cospe na cara do patrão
e o outro racista
que traz no âmago
o genocídio

A poesia que componho
se faz no meu passo
feito a menina que
nos três dias de alforria
sapateia descalça na avenida

Na busca do amor e do ódio
a epopéia faz cerco
desmancha em sorriso
nessa nossa roda
poética da resistência

O verso simples
traz nos traços revolta
feito um sonho em ebulição
não serve de banquete ao tirano
é munição pra guerrilha
do bonde dos Firmino

Chapado feito a vida

O poeminha,
se faz de abraço
e a criança negra sorriu
da traquinagem com as palavras
que o poetinha travesso
sacou.

A poesia que me compõe amada
outrora granada explodiu em minh’alma
e os lábios sedentos
ainda palpitam em erupção


Minha poesia é arma,
e a folha campo de concentração
saltam do tiroteio
negros poemas
rebelados marcham
e se refugiam
no entrincheirado coração...

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(C)ORAÇÃO




Poesia de cada dia
Por favor, não acentue nosso contraste!!!
Ouviu meu bem?
Se com você sou como um traste!!!
Que dirá sem!

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CONTO/ NADA PESSOAL




Nem sei se te conto.
Onde bati meu ponto.
As portas que arrombaste.
Pra vários eu um traste!
Nessas sem valor.
Meu ouvi ai amor.
Por ai não valho um conto.
Meu relógio meio tonto.
Meio dia é meia noite o mote
Meia noite meio dia meu norte
Mais pra tu quanto valho?
Uma gota de orvalho?
Um choro pela ponta?
Pelo amor me tome conta.
Juro! Tomo tento.
Não me perco pelo vento.
Na batida de um cavaco.
Abres-me o barraco.
E não me pede a conta.
Meu coração não mais apronta.
São angustias que eu talho.
Me diz amor quanto valho?
Quanto vale meu peito?
Um verso a ti feito?
Ou tuas malas já prontas?
Tu benzesses minhas contas.
E as mesmas não desfiam.
Teus olhos que me guiam.
Toda vez que fecha o cerco.
Toda noite que me perco.
E agora me afronta.
Não to numas “de faz de conta”.
No vazio que me embaralho.
Me diz quanto valho?
Nem a recordação?
Nem a angustia de tua mão?
Nem a reza de teu ponto?
Nem um poema nem um conto.
Nem uma revolta de Hamilton
Nem um acorde a mil tons
Meu eu quieto não me espalho
A ausência de teus olhos que eu valho?
Ou as noites de calor?
Se me perdoar amor!
A maldade não me atentas.
Direciono minhas ventas.
Meu corpo quando em brasa.
Direciono-me tua casa
Teus caminhos estreitos
Nos cômodos de teus peitos
Tua flor quando desflora
Onde meu eu mora
Mais me diga quanto valho
Nosso amor no assoalho?
Ou se ofendendo pelo canto?
Respeitamos nosso pranto
Um detalhe é a renda
E o outro é a prenda
Pois vivemos estrofe a estrofe
Arrombando cofre a cofre
Agora bancas de horror
E trancas o fulgor
Querem mesmo que eu encalho
Isso tudo que eu valho
Mais pra tu quanto?
As noites que te canto
Ou o fulgor de nosso encontro
Ou seu já era bate e pronto
Na poesia queres um ponto
Eu numa de eternizar o conto
É nisso que eu falho
Me diz amor quanto valho?

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